sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Agora

No apagar dos sonhos,
você.
No apagar das luzes,
os dois.
De noite emudeço,
de dia calo
No apagar de mim,
a noite.
No acordar,
um beijo:
teu.
De tarde sofro,
eu,
no entardecer,
você.

Sapatos

eu tropega nas tuas histórias
eu tropega na tuas ídas
saudade em mim
de ti
quem sabe você
de mim
em ti

Tempo

se tempo tenho
tempo sopra
tempo brinca de esconder
tempo faz juras
tempo amarra antes de vir
se vida segue
vida em mim
passa sem tempo vida
passa com volta vida
passa não, vida
sem mim,
passa não.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Despedida

eu que espero tanto
sou nada
eu que calada grito
sou muito
a vida incongruente que segue
no sonho
no findar da noite
quase madrugada
sinto
desdenho do fardo
assopro a volúpia
da sabedoria afoita
do tilintar dos beijos
do esgueirar dos olhares
despejo
desnuda
eu
ao cair do tempo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Poeminha

menina vem cá...
menina bunita de longos cabelos
vem aqui e não me pergunte como
não me faça horas
não me tire as manhas
me deixe ser muito
me alivie a vontade
saiba estar no abraço a tardinha
saiba ver a lua e beijar
eu você essa coisa sem fôlego
eu você esse tudo sem fim
não para depois
não corra menina bunita de longos cabelos
eu menino seu,
só entendo assim
sou amigo do amor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Súbito

Se perdeu em poucos minutos.
Deixou a lembrança afogar a noite,
ficou ácida.
De repente ficou desdenhosa da vida
e sentiu um abandono mentiroso -
esqueceu-se dos pormenores de antes.
Verteu poucas lágrimas
sobre o lençol branco
(bordado de borboletas azuis),
não soube calar o desconforto.
Foi isso:
não soube calar sua alma - imediatista.
Foi isso.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Fuga

calado tempo
de versos passageiros
de encontros
quase trombadas
eufórico o beijo
fugidia a cama
lágrimas talvez
se demorasse
se dissesse hoje
se fossem claras
como naquela noite
menino
sim
como naquela noite.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um suvenir para calar a noite,
duas doses para bater em retirada:
a sua cama;
a sua audácia disposta.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

você

vou dizer que impulsivamente somos o impossível da noite-dia do tempo-fato das coincidências escritas por alguém que eu nem conheço e você me vem inteiro deveras mutilado, deveras amando-beijando, de todos somente a sua totalidade me liberta e me inscreve na vida mútua, na safadeza diária em suspiros estrondosos e sangue em atitude que tem hora precisa para iniciar, nunca acaba desde aquele dia-noite sonhamos o fato-tempo de poder imprimir nossa construção imprecisa, remendável a cada fala, a cada ato ressonante das suas notas complexas - dançantes por onde passamos mesmo que ainda tenhamos muito que ir, mesmo que tenhamos muito que ser e não ter o hálito soprando vivo, ainda assim seremos essa história fantástica cantada aos poucos, infinitamente.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Madrugada

choro-música
coração de assombro
não poder
ser
superfície alta
beijo ao longe
dentes teus
abraços
visões
peito nú
lembranças minúsculas
não por falta
por ti
menino bonito

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ar de balão

Minha menina de giz
de caligrafia impossível
sua falta
sua destreza
seus laços de cabelo
nossas incongruências
fábulas perfeitas
da sua irrealidade
de lantejoulas furta cor.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

meditação

... um papel em branco... paixão inifinita. ela pode ser outra e sempre a mesma. pode sonhar oculto e desejar o alheio. ela pode ser perversa. pode ser dama. pode ser estridente. pode ser calma e alva. pode ser nuvem e tempestade imprevista. pode ser musica e solidão. dias de semanas, tempos de meses. pode ser vc e ser eu. pode ser nós. pode ser infinito e hoje. aqui. agora. ontem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

(vamos embora menina!)
choro compulsivo
impulsividade
meu reverso
teu desgosto
parte de mim
parte sua
vida nossa
ora convenhamos!
eu sozinha
onde?
nunca!
dor.
para sempre dor.

STITCHING PART - 2

deixa eu ter um campo perto
deixa ser de concreto
rimar
ser rosa e azul bebê
teus pelos
tintas
cabelos
negros
não
branco
vida
volta
não vá sem mim.

STITCHING

eu te digo choro
eu te falo por menores
menos interessantes
somos você e eu
carcaças de ontem
desejo morto de hoje
saudade de nada
tristeza
impropriedade por vida
tarde de escapadas
eu te machuco
você me corta
temos um fruto
imbecis
amor?
perdemmos.
as time goes by...

Tristeza

pássaro em decomposição
urge vida
socorro não tem
sopro não há
canto de horror
abandono
pássaro não chora
antes voava
agora chão
penas estraçalhadas
asfalto
saudade do verão

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tempo fica comigo?
Teu corpo dia-noite
me inquieta
me faz palavra tardia
me sinto inocência embrutecida
me faz desespero
me faz peso e pesar
tempo quero hoje
pode ser?
você está ou vai ?
tempo me beija na boca?
teu linguajar é a minha desculpa.
tempo me ama?
tempo
me espera?
tempo
de ser tua?
me queres?
tempo
Minha vida
tempo?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

sec. XIII a.c.


arritmias incandescentes acometem o céu, baby.
indiscrições satíricas,
prosmiscuidade aleatória, dear.
insuficiência explosiva,
incongruências equalizadas, cherrie.
¡No me gusta las mujeres, pero que las hay, las hay!

Ufanismo


Se ele vai. Se ele se esvai. Com ele vou. Sem ele nada. Só nele sou. Por ele estou. Quando ele... Foi ele indo. Dentro dele, vindo. Comigo ele... Sou dele. Na mesma cama. Meu sonho com ele. Sono dele. Voz, nariz, eu, ele. Sozinha na cama. Dia clareando. Sem mim ele... Partiu sem mim. Deixou a pele. Orou no altar de pedras pretas alvamente decoradas. Castiçais, luzes, chamas que me protegem. De quê meu Deus? Tua cruz, eu. Sonata sã. Crisálida doce. Comida tua. Boca minha. Muito gosto teu. Eu. Gosto nosso. Temos? Esquecemos? Você talvez... desgaste temporário. Sabedoria gélida. Tua mente ininterrupta. Sussurro. Saudade de grilo que cantarola grunhindo. Gato que arrannha a janela aberta. Arregaçada, alagando tudo, destruindo, queimando a geladeira, o computador, o ventilador. O som que precisa realmente ser afogado. Ele se recusa a tocar. Vai pegar fogo. Grito: Fogo! Vai pegar... Deixou. Sumiu. Sofreguidão que é tão linda. Fale devagar: gravando! Diga. Repita: meu anjo. Repita anjo. Tomates. Adoro tomates. Você batatas. famintos. Ruas. Cemitério. Vamos a um velório onde se come e se bebe. Nos embriagar. Velar um morto de verdade. Morreu. Ele morreu? Angústia, conhece? Tomo um sorvete, você quer? Se você estivesse talvez não existesse esse sorvente com confetes. Serpentina. O carnaval já passou e já, já vem outro. Mais saudade. Saudade, mas...
Ela preferia ser humilde e não à sua altura que era enorme: Lóri sentia que era um enorme ser humano. E que devia tomar cuidado. Ou não devia?