sábado, 20 de setembro de 2008

Sophie


Se ela vivesse em liberdade seria prisioneira, mas como vive enclausurada é livre. Não vive só, vive à dois, ou por dois, como queiram. Para ela é único e não venham discutir as posses, ele a possui, ponto. Vestimentas não lhe agradam, por isso vive nua - pode ser assim. As vozes que escuta são musicais, não se satisfaz com o simples dizer, inútil de melodias. Sua bebida é gim. Sua comida o sexo, quando muito frutas. Ele gosta de sua palidez. Não tenho mais nada a dizer sobre ela, apenas fotos. Ela se auto-retrata todas as manhãs, também a ele e sua robusta estrutura corporal. Imagino que vivam alheios, esquecidos, apenas lembrados para si mesmos. Me parece que atingiram uma extremidade lúdica.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Chico e Betinha

Betinha seus olhos são azuis como o por do mar... E mar se põe? Para você ele é todo chão Betinha. Não vês? O sol se deita nele e juntos os dois dormem, depois vira preto, azul escuro, sei lá... não vês? Mas tem a lua Chico... Ai essa nem me fale, que tem conchavo contigo e eu sei... Nunca mesmo! Tem e tenho provas! Ai Chico se ela por ti tem apreço, não sou eu a culpada de tuas conversas por toda a madrugada. Betinha ela se enche e eu fico doido, fico homem fora de si, sinto saudade de tudo, até daquelas coisas que só você vive dizendo. De amor Chico? Pode ser...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

... talvez eu queira apenas te encontrar...

Carminha

Se existe um nome para mulher, com certeza é Carminha. Carminha é mulher bem feita, com tantos dotes que chegamos a desconfiar se foi feita por Ele mesmo. Não tem amigas. Anda para cima a para baixo na companhia de seu cachorrinho - presente dado por Teobaldo no primeiro anivesário de casamento. Teobaldo é homem trabalhador, daqueles que saem as sete da manhã e só voltam quando o sol se põe. Carminha não trabalha. Não por vontade, mas por prescrições médicas. Tem sopro. Nos tempos de crise, seu coração acelera, a respiração fica incontrolável e seu corpo treme inteiro. Carminha não gosta de cozinhar, mas gosta de roupas. Principalmente as de baixo. Gosta também de cinema, de modo que seus dias são assim: escolher e comprar as roupas de baixo, afagar seu cachorro e ir ao cinema. Assiste à tantos filmes, que já pensou em escrever para o Jornal. Carminha conheceu Alfredo na última sessão - das cinco, pois Teobaldo janta as sete e faz questão da esposa à mesa - conversaram e trocaram impressões do filme em questão. Era um suspense e Carminha adora suspenses. Alfredo achou o filme sensacional e gostaria de vê-lo novamente. Carminha aceitou. Em princípio teve medo, mas depois resolveu aceitar o convite e combinar uma sessão dali a dois dias. Na noite que antecedeu ao encontro Teobaldo anunciou que tinha que viajar à trabalho e gostaria de saber se ela ficaria bem na sua ausência. Carminha não exitou e pediu que ele a levasse. Mas Teobaldo viajaria à negócios e isso a aborreceria. Aproveite para se divertir, inclusive tenho aqui dois ingressos para o Teatro depois de amanhã. Dentro de três dias já estarei de volta, disse o marido. Carminha suspirou fundo, pensou em pedir pelo amor de Deus que não a deixasse sozinha, mas desistiu assim que Teobaldo lhe deu um beijo na testa e desejou boa noite. Carminha apagou as luzes da casa e subiu, abriu a porta do quarto e Teobaldo já estava dormindo. Ficou no banheiro um tempo e resolveu tomar um banho. Ligou o chuveiro e sem querer, pensou em Alfredo. No dia seguinte lá estava ela as cinco em ponto com seu ingresso na mão. Nem um minuto se passou e chegou Teobaldo com duas pipocas e dois ingressos. Já tenho, meu disse ela. - - Então jogue fora, você é minha convidada.
Carminha suspirou, sentiu seu coraçãoo bater forte, tão forte que pensou em desistir.
- Vamos, já estamos atrasados.
E Carminha foi, foi como nunca tinha ido. Foi tanto, que ao acabar o filme já estava convidando Alfredo para o teatro no dia seguinte. Depois do teatro sentiu vontade de beiijar Alfredo. E beijou. Beijou tanto que esqueceu que era mulher casada e beijou em sua casa, escutando Elvis. Beijou a noite inteira. Teobaldo voltou no dia seguine. Carmelita fez questão de ir recebê-lo na roviária. Quando se encontraram, Carminha pulou nos braços de Teobaldo e quis lhe dar as boas vindas, contar da peça, do quanto sentiu a sua falta. Teobaldo lhe deu um beijo na testa e disse:
- Se acalme, todos estão nos vendo.
E se distanciou de Carminha.
- Tenho que ir para o escritório.
Carminha acatou a decisão e voltou sozinha no lotação.
Chegando em casa, olhou ao redor, afagou o cachorrinho e decidiu encontrar Alfredo na sessão das cinco.

Sopro


- Diga ah!
- Diga oh!
- Diga ah novamente...
Um beijo. Eu não pensei e dei-lhe um beijo ali, em frente ao porta-retrato com a foto da sua família. Não eu não sinto vergonha, sinto um tesão incontrolável que, agora revendo os fatos, ainda me inquieta. Seus olhos brilhavam me pedindo isso e aquilo, a mais de meia hora. Estava nua por baixo do avental verde-claro. Quando ele se aproximou eu ja não via nada, apenas aquela boca. Vocês fariam a mesma coisa. Acreditem, se pudessem e não houvessem consequências, fariam. Ele afastou todos os livros da mesa, jogou sua família no chão e me comeu, me comeu com a fome dos monges, com o desespero dos puritanos. Ele ainda me ligou mais algumas vezes. Não, eu nunca mais o encontrei depois daquele dia. Sim, eu fiz questão de pagar a consulta.

domingo, 14 de setembro de 2008

IMPROPERIOS

Tudo aconteceu como mandavam os motivos. Não foi rebuliço da carne. Foi real. Sem arrependimentos. Ninguém sabia, eles sim. O choque foi antes. Me desculpem mas essas coisas acontecem e ninguém pode prever. Eles sim. Sabiam que naquele dia tudo seria explicado: por toques. Não vou discorrer os motivos, intimidades são intimidades, e, foi lindo e foi extasiante. Seu corpo estivera adormecido. Não posso julgá-la. Apenas foi assim.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Tenho febre.

Dor

Toca uma nota. Por favor toca só uma nota para mim. Um dó. Maior ou menor tanto faz. Pode ser com as mãos pode ser com os pés pode ser na caixinha de fósforo. Eu amo um pandeiro e você me vem pisando pé-ante-pé.

Samantha

é falta de peito, de pedra, de terra de caminho. é desconforto sem ninho, sem parada, seu sorriso é só disfarce. é falta de dentes, de cordas bem alinhadas e amarradas, ela é liquida, como naquele livro. é falta de realidade, roupa para lavar, barriga no fogão e texto na mão. ela é só encantos, como a abóbora daquela história. é falta de horas planejadas. ela não tem métodos, inconcretos seus laços, desajeitados seus gestos. é falta de frio, é falta de céu. ela quer alcançar o que não sabe. Samantha é assim, milagrosa nas horas vagas, e adora andar de balão, embora nunca o tenha feito. putinha perfeita, se nascer de novo quer ser comcubina.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Diva

Carmelita que ser estrela. Desde pequena ja sabia e explicava ao pai:
-Quero ir pra Cidade Grande, aprender a rir, chorar e ficar brava na hora que eu quiser.
Quero fazer igual ao palhaço aqui do circo, só que diferente, mais contido.
O pai se abismava diante de tanta sabedoria, mas infelizmente não sabia o que responder. Carmelita fez 15 anos e resolveu comemorar, cortou uns panos velhos, pintou o delicado rosto com tinta guache e no meio da noite reuniu toda a família, inclusive pipoca a cachorrinha inteligente, que aliás era platéia costumeira de Carmelita, pois nada foi de improviso, estava tudo muito bem ensaiado. Pediu ao irmão mais velho que anunciasse, segurando um lençol branco bem esticado:
- Vinda da Cidade Grande, a majestosa estrela: Carmelita.
O pano caiu e a menina começou a recitar o que ela chamava de monólogo. Chorou, gargalhou, se jogou no chão, levantou e agradeceu a sua platéia como vira na TV. A família aplaudiu extasiada, nem todos sabiam dos dotes artísticos da menina. Ao final da comemoração seu pai lhe pediu que no dia seguinte fosse até a praça comprar a passagem para a Cidade Grande. Na manhã seguinte lá estava ela. O ônibus sairía naquela tarde, logo depois do almoço. Dona Filipa chegou a perguntar se aquilo era mesmo verdade, e também teve muito medo. Ouvira dizer que na Cidade Grande as coisas são muito difíceis. Mas Carmelita não estremeceu, juntou seus poucos vestidos, um casaquinho de lã recém feito pela mãe, o único sapato, tomou banho, fez trança e passou um perfume que ganhara no tiro-ao-alvo na últina festa junina da cidade. No almoço foi aquela choradeira, os irmãos perguntando porque não podiam ir também, a avó que não falava, nem lembrava de nada fazia anos, chegou a desejar boa sorte e dar a benção. Carmelita pediu que só o pai a acompanhasse até a praça, melhor, para não parcer coisa de gente do interior, que vai todo mundo se despedir e é aquela coisa. O pai terminou o almoço, penteou os cabelos para trás com seu pentinho de bolso e chamou a menina, estava na hora. Carmelita pegou suas coisas, a vasilha com bolo e frutas que sua mãe tinha preparado, deu a mão ao pai e foram a pé pela estradinha de terra que dava na cidade. Quando Carmelita avistou o ônibus sentiu vontade de desistir, mas seu pai segurou firme em sua mão e seu medo desaparceu. Subiu as escadas do ônibus , sentou na poltrona 15 - fizera questão do número, para dar sorte - encostou a cabeça no banco e foi feliz, com o endereço de Tia Joana, parenta distante de sua mãe que morava na Cidade Grande desde que se casou com seu Altamiro, um importante cabo do exército. Carmelita adormeceu logo no primeiro quilômetro. Sonhou com palcos, luzes, tapetes vermelhos e autógrafos, muitos autógrafos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Despropósito

... e ele tem me dito repetidamente que está abandonado, mais das reticências do que pelos meus pontos de exclamação. Tento por um fim nessa ausência, os fatos felizes, os dias mais do que esnsolarados, o verão me deixou bronzeada e as sombras desapareceram, sinto falta delas, entendo o que ele diz, mas tenhamos calma meu querido, as coisas ja estão voltando aos seus e seremos felizes como antes.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

para um doce...

Amo e te amo com todas as notas,
Com todas as dissonâncias do nosso dia-a-dia
Te amo sem jeito.
Te amo com o peito sufocado de tanto vida à dois
Te amo profundo, com brigas e desalinhos
Te amo amanhã porque acordo na saudade
Te amo ao pé do ouvido, em suspiros só teus
Te amo infinto, em pé, deitada, de frente
De fronte ao eterno,
Te amo de encontro aos meus filhos, teus.
Te amo agora, implícito, indiscutivelmente amor.

fatos inverídicos

... não sei se devo continuar...

fatos inverídicos - o dia

- Dez anos!
- A mulher mais linda da festa!
- Estou perdida...
Quarto de escritório, Emmanuelle está chorando e falando ao telefone, ele entra e pergunta o que está acontecendo. Ela começa a falar, sua voz vai sumindo, ele sai andando pela casa. Ela vai atrás dele.
Depois de alguns minutos, ele volta a escutar o que ela está falando:
- Me perdoa, eu te amo.
Ele fica parado, ela sai andando pela casa desesperada, diz que vai dar uma volta, ele diz que ela não está em condições de dirigir. Os dois se abraçam, ele começa a chorar.
- Você está sozinho?
- O que você acha?
- Não sei...
- Vem comigo!
Ele a puxa pela sala como se estivessem fugindo, vão adentrando o apartamento, ela começa a se sentir perdida, até que entram em uma das portas do imenso corredor, ele comeca abeijá-la, os dois vão tirando a roupa desesperadamente, derrubando tudo e se amam em cima da mesa do escritório. Ela olha nos olhos dele.

fatos inverídicos - a vertigem

Uma luz saindo por trás de uma coroa de flores iluminava a sala onde sua avó paterna estava sendo velada, sua mãe tinha ido buscar um café, era madrugada e todos foram descansar para retornar as dez horas. Horário do enterro. Na sala estava somente ela, seu pai e sua mãe, esta última mais por consideração à sogra que ao ex-marido. As duas eram como mãe e filha, um amor profundo. Emmanuelle se dirigiu ao corpo da avó emoldurado por cravos amarelos.
- Vó, tem uma escova para me emprestar?
A avó ficou surpresa e sem responder colocou a escova em suas mãos pequeninas que faziam jus aos seus cinco anos, sentou na beirada da cama e ficou observando a neta suspender os cabelos, alinhá-los simetricamente em direção ao alto da cabeça e envolvê-los com uma borracha tirada com destreza do punho direito, uma pequena conferida, nenhum fio fora do lugar e agora o toque final: uma fita azul turques amarrada em laço, caía por cima do rabo-de-cavalo.
- A senhora também vai tomar sorvete de massa com o vovô e eu?
Aquele dia foi o início de uma cumplicidade e admiração mutúa entre a avó e a menina. Embora morassem a mil quilômetros de distância uma da outra e só se vissem uma vez ao ano.
Sua avó gostava de ganhar perfumes. Cremes e os lençóis de sua casa cheiravam a confort fresquinho.

domingo, 13 de julho de 2008

fatos inverídicos - a festa

Valet park, nome na lista, som audível dez andares abaixo. Fitou o manobrista, virou o olhar para a esquerda e avistou dois casais, resolveu deixar o xale no banco traseiro do carro. No elevador se sentiu acuada, não pensou em desistir, mas a luz incandescente fez com que ficasse vidrada em duas rugas que até então não existiam. Retocou o batom fazendo um contorno um pouco maior do que seus lábios. A porta do elevador abriu dentro da festa - não pode nem tomar um fôlego - olhou o horizonte e viu o mar acima daquele aglomerado de cabeças. Nem um minuto e um garçom veio com um espumante: alívo. Um copo é sempre um companheiro, já que o cigarro foi banido de sua vida há alguns meses. O telefone toca, procura dentro da bolsa e não o encontra, sente um dezespero, vai até o sofá mais próximo, descarrega sua bolsa em cima dele, encontra o minúsculo aparelho e olha o visor: chamada identificada. Guardou seus pertences e decidiu encarar a noite que se punha diante dela, não tinha o que temer, era uma comemoração alheia, nunca vira aquelas pessoas e a dona da festa era uma amiga recente que conhecera em um congresso de pediatria. O que não reduzia aquele salão a uma simples festa de médicos, de acordo com o que estava vendo, parecia que sua bem comportada amiga, tinha uma vida paralela, uma segunda identidade. Aquelas pessoas pareciam fazer parte de um mundo mais, digamos, lúdico. Talvez artistas, não sabia precisar se eram atores, escritores, pintores, fotógrafos, músicos ou todos misturados . Olhou no relógio e ja fazia trinta minutos que estava sentada num sofá - o mesmo onde despejara sua bolsa. Eu preciso cumprimentar a pessoa que me convidou. Levantou e se viu num caminho sem volta. Por onde começar? E se eu me perder? Não vejo paredes. Sentiu pânico, daqueles que só se sente em lugares fechados, em espeial, prédios. O lugar poderia comecar a pegar fogo, poderia encontrar alguém que não quisesse cumprimentar, não estava mais acostumada com imprevistos. Resolveu não arredar pé. Concluiu que invariavelmente os anfitriões uma hora ou outra, acabam passando pela entrada da festa. Se sentou novamente. Olhou para os lados, olhou para o copo em sua mão - ele estava vazio. Nenhum garçom a vista, apenas um maço de cigarros na mesa lateral, a dois dedos do braço do sofá, onde uma de suas mãos estava apoiada. Começou a fitar aquele maço vermelho e branco, até que sua mão começou a suar. Um maço vazio? Pensou em conferir. Desistiu. Claro, ninguém deixaria uma preciosidade dessas jogada assim, ainda mais em lugares como este, onde, com o avançar das horas, e da quantidade de bebida ingerida, todos tendem a se tornar fumantes, enquanto somente dois por cento realmente o é. Como se todos se conectassem com seus ancestrais e passassem a compartilhar o fumo, a bebida e a fogueira.
- Você viu a Tereza? A dona da festa...
A pessoa apontou em direção ao centro da sala. Tereza estava no meio da pista com uma garrafa na mão direita, podia-se ler o rótulo rodopiando rente ao lustre art decor. Pensou em se aproximar dauela rodinha, que se exaltava ao som de um bate estaca. Um impulso frontal e uma mão agarrar-lhe os quadris e a faz girar, encontrando-se de repente unida a um corpo masculino. O corpo a afasta. Os dois se olham. Ela está paralizada, sente uma espécie de vertigem.

sábado, 12 de julho de 2008

fatos inverídicos - parte 1

Sexta-feira, nove horas da noite, luzes acesas no banheiro, música alta, maquilagens espalhadas pela pia, um vestido rosa lhe cobria o corpo, deixando as costas inteiramente de fora, salto onze nos pés, um par de pérolas e alguma esperança a faziam sorrir. Antes de apagar as luzes, deu uma última olhada pelo espelho, sentiu uma melancolia olhando para aquele decote que deixava suas costas inteiramente desnudas. No momento seguinte discordou. Por precaução, resolveu colocar um xale, nunca se sabe o nível de descontração de uma festa até adentrá-la, e, uma entrada triunfal pode vir a criar inimizades.

fatos inverídicos - preâmbulo

Seus pensamentos se comportavam como criança em festa de aniversário. Trânsito lento, carro sem som para distrair e nenhum compromisso urgente com que se preocupar. Aos poucos começou a sentir uma forte ansiedade seguida de suador, palpitações, estava à beira de um desmaio, seu telefone tocou. Olhou pelo retrovisor, nenhum guarda. Pronto? Do outro lado, um convite.

sem título

... estou voando pelas minhas encostas, sobrevoando as carcaças assombrosas do vir a ser, e posso, no momento desse exato segundo, ser outra, não sou: um depósito de sombras passageiras. Tudo ainda me dói, até a última lembrança.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Piscina a vapor

Estamos nós, eu minha calcinha e sutiã a beira da piscina. Sinto frio, talvez todos estejam sentindo frio. Talvez a lua tenha se enrolado em uma pachimina negra, por isso não a vemos. Estaria eu com sua camisa, não fosse a saída súbita e preventiva. Rondo a borda e não me desequilibro, sinto esse cheiro cítrico das folhas de um jardim verde, sem flores. Tento cantar uma musiquinha alegre, soprar o nevoeiro, tolinha, ele não se desfaz, é manhã e fará sol o dia todo segundo a previsão. Estaremos nós indispostas e doloridas, fará mais frio ainda, do que aquele da noite, sentiremos a chuva enuvens segundo o corpo, segundo o desprezível - zado, coração.
Ela preferia ser humilde e não à sua altura que era enorme: Lóri sentia que era um enorme ser humano. E que devia tomar cuidado. Ou não devia?